PLANETA LUA


17/06/2008


Senhor Rei dos Rouxinóis

 
Ó irmão! Nem todo mar tem pérolas; nem todos os ramos florescerão, tampouco sobre todos cantará o rouxinol. Antes, pois, que o rouxinol do paraíso místico se recolha para o jardim de Deus, e os raios da manhã celestial retornem ao Sol da Verdade, faze um esforço para que, nesse monte de pó que é o mundo mortal, possas aspirar, quiçá, uma fragrância do jardim eterno, e viver para sempre à sombra dos habitantes dessa cidade

 


(Bahá'u'lláh, Os Sete Vales)

 

 

Amado Rei dos Rouxinóis, hoje, o oitavo dia em que nosso coração se recolheu no jardim da Tua presença, venho Lhe depositar junto com as rosas do meu amor, um suplica pelas nações indígenas do planeta Terra, e especificamente, pela nação indígena Guarany-kaiowá, uma nação á quem havia sido confiada como guardiã, as matas e animais de grande parte da América...

Hoje, as nações indígenas desta terra, estão sendo constantemente violadas por toda espécie de indignidade, e atacadas pela fome – " os herdeiros da América – acuados no final do beco de uma estrada, expulsos de todos os lugares na terra do boi e da soja, uma terra cuja imagem é vendida ao mundo como o paraíso das grutas naturais, dos rios translúcidos e do Pantanal, de fartura e alegria, é manchada pelo sangue de dezenas de crianças indígenas mortas – não de uma epidemia cruel ou qualquer assassino letal – mas pela fome. Simplesmente pela fome. A mais lenta e dolorosa maneira de se matar um ser vivo. Ressecando junto com veias e artérias a dignidade, o a amor próprio, a fé e a esperança de todo um povo."

"Mas por trás disso tudo tem outras histórias de anos de submissão, de orgulho quebrado, de alto estima pisada... Tem uma história de uma história perdida no tempo, de um orgulho coletivo ferido, de referências culturais perdidas... Onde estarão meu Deus, os campos livres, as caçadas, os regatos límpidos, os rituais, o direito a espiritualidade, as conversas com os espíritos da terra, as noites de luar... Em que momento o tempo dobrou a terra e retirou dela a doçura, a ternura, a liberdade? Em que dobra terá ficado esquecido as brincadeiras dos jovens e das crianças? A alegria, a paz... Cada morte em área indígena, estando o índio a frente ou atrás da arma, sinto-me mortalmente ferida. Mas arranco a flecha do meu coração e prossigo, por que eu tenho fé, mais que isso, eu creio com todas as minhas forças, que todos nós, podemos reconstruir o mundo, para que ele possa voltar a ser o lar de todos os seus povos... Por que creio ainda em uma terra-jardim, onde cada flor será um ser humano, diferente, colorido, diverso.... "

Senhor, Rei dos Rouxinóis, Amado Pai de todos os povos da Terra... Junto com as rosas que hoje lhe trago, trago também as lágrimas e sorrisos, a esperança e a fé, do Teu povo, Indio, Rosa Vermelha do Teu Jardim
 
Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Escrito por Lua, filha do Sol às 10h37
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